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AULA 1 DE 8 · SAIR DAS DÍVIDAS

Diagnóstico: coloque todas as suas dívidas na mesa

⏱ 8 min de leitura · Atualizado em 10/06/2026
📊 Indicadores de hoje
Selic14,50% a.a.
CDI14,40% a.a.
IPCA (12m)4,39%
Poupança6,17% a.a. + TR
Dados reais do nosso painel de renda fixa · atualizado em 10/06/2026

Ninguém sai de um labirinto correndo no escuro. Quem deve, em geral, evita olhar o extrato (dói), e é exatamente essa névoa que faz a dívida crescer. Esta primeira aula tem uma única missão: transformar a angústia difusa de "estou devendo" numa lista concreta na mesa, com números, taxas e prioridades. Sem julgamento: dívida é situação, não identidade.

Por que o diagnóstico vem antes de qualquer pagamento

Pagar dívidas sem diagnóstico é como tomar remédio sem saber a doença: você gasta munição na dívida errada. A maioria das pessoas paga primeiro quem cobra mais alto (a ligação mais insistente), e não o que cresce mais rápido. Resultado: o rotativo continua dobrando enquanto você quita um carnê parado de juros baixos.

O diagnóstico inverte isso: primeiro o mapa, depois a estratégia (que é o assunto das próximas aulas).

O inventário: 30 minutos que mudam o jogo

Separe meia hora, abra os aplicativos dos bancos, o e-mail e as cartas de cobrança, e monte uma lista com uma linha por dívida, com estas colunas:

Duas armadilhas comuns nessa hora: (1) esquecer dívidas "invisíveis" (limite do cheque especial usado, parcelamentos no cartão, empréstimo com parente, mensalidades atrasadas); (2) anotar o valor da parcela e ignorar a taxa. A taxa é a informação mais importante da lista inteira.

Entenda o CET (o número que os bancos preferem que você ignore)

Todo crédito no Brasil é obrigado a informar o CET (Custo Efetivo Total): a taxa que junta juros, tarifas, seguros embutidos e impostos. É o único número que permite comparar duas dívidas (ou duas propostas de renegociação) de forma justa. Quando for olhar contratos, procure sempre o CET anual, não a "taxa a partir de" do anúncio.

Classifique: as três temperaturas da dívida

TemperaturaTipo de dívidaO que fazer
🔴 IncêndioRotativo do cartão, cheque especialEstancar JÁ (aula 2): são juros que dobram a dívida em meses
🟠 BrasaCrédito pessoal, crediário, fatura parceladaRenegociar ou trocar por crédito mais barato (aulas 3 e 7)
🟢 AdministrávelConsignado de taxa baixa, financiamento imobiliárioManter em dia; raramente vale quitação antecipada às pressas

Pra calibrar a régua: o CDI (referência do que o dinheiro rende no Brasil) é o seu termômetro. Dívida que custa algumas vezes o CDI é incêndio; dívida que custa perto do CDI é administrável.

Hoje o CDI está em 14,40% ao ano. Compare com o seu inventário: um rotativo típico custa centenas de por cento ao ano (dezenas de vezes isso); um consignado bem negociado custa uma fração disso. É essa distância que define a ordem de ataque.

Some tudo (e respire)

No fim da lista, some duas coisas: o total devido e o total de parcelas mensais. O primeiro número costuma assustar menos do que a imaginação pintava; o segundo mostra quanto da sua renda já está comprometida. Esses dois números são a linha de partida do plano, e você vai vê-los encolher nas próximas aulas.

Uma verdade pra levar desta aula: dívida não se resolve com vergonha, se resolve com método. Você acabou de dar o passo que a maioria adia por anos.

Seu próximo passo

Com a lista pronta, olhe as linhas vermelhas: se você tem rotativo ou cheque especial em uso, a aula 2 é urgente (literalmente: cada mês custa caro). Se suas dívidas já estão atrasadas ou negativadas, as aulas 3 e 4 são o seu caminho.

Termos e ferramentas: CDI · juro real · calculadora de juros compostos

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação jurídica ou financeira individual. Taxas variam por instituição e perfil: confira sempre o CET no seu contrato.

Perguntas frequentes

Por onde começo a sair das dívidas?

Pelo diagnóstico: liste todas as dívidas com saldo devedor, taxa de juros mensal, parcela e situação (em dia, atrasada, negativada). Sem esse mapa, é comum gastar dinheiro quitando a dívida errada enquanto a mais cara continua crescendo. Com a lista pronta, a ordem de ataque fica evidente: juros maiores primeiro.

O que é CET e por que importa mais que a taxa de juros?

CET (Custo Efetivo Total) é a taxa que soma juros, tarifas, seguros e impostos do crédito, e todo banco é obrigado a informá-la. Duas propostas com a mesma "taxa de juros" podem ter CETs muito diferentes por causa de custos embutidos. É o único número que permite comparação justa entre dívidas e propostas.

Devo quitar o financiamento da casa antes de outras dívidas?

Quase nunca é a prioridade. Financiamento imobiliário costuma ter as taxas mais baixas do mercado, enquanto rotativo e cheque especial têm as mais altas. A regra prática é atacar primeiro o que cresce mais rápido. Antecipar financiamento barato enquanto existe dívida cara ativa é matemática invertida.

Não sei a taxa de juros das minhas dívidas. Como descubro?

No aplicativo do banco (área de contratos ou faturas), no contrato assinado ou ligando pra central e pedindo a taxa mensal e o CET. A instituição é obrigada a informar. Pro cheque especial e rotativo, a fatura mensal costuma trazer a taxa em destaque (por exigência do Banco Central).

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